EMBRAPA e Ministério fazem parceria contra o mormo, doença do cavalo
Mormo é uma doença que dá em cavalos e é contagiosa nos humanos. Conheça e previna.
06-08-2019 19:02:31 (3915 acessos)
Embrapa e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) se reuniram para estabelecer acordo de parceria para validação de tecnologias de diagnose da doença do mormo. Doença infecciosa que atinge principalmente os equídeos, pode causar prejuízos aos criadores de cavalo, pois torna obrigatório o sacrifício dos animais infectados. O Brasil possui o terceiro maior rebanho de equinos no mundo e o maior da América Latina.

Diante desse potencial de produção, é fundamental um diagnóstico preciso por meio de exames de sangue. Isso permite fazer estudos epidemiológicos e estabelecer políticas públicas que promovam o estabelecimento de regiões livres da doença, considerada zoonose, porque atinge também seres humanos.

Pesquisadores da EMBRAPA apresentaram a técnicos e dirigentes do Ministério e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) o projeto de pesquisa “Avanços no Diagnóstico do Mormo Equino no Brasil”, aprovado em 2018 na carteira de projetos, no âmbito do Portfólio Sanidade Animal. O encontro foi coordenado pelo diretor do Departamento de Defesa Agropecuária da Secretaria de Saúde Animal, Geraldo Marcos de Moraes. Reuniu técnicos do MAPA, bem como os pesquisadores da EMBRAPA Pecuária Sul, Emanuelle Gaspar (líder do projeto) e da EMBRAPA Gado de Corte, Flábio Araújo, responsáveis pela apresentação do trabalho desenvolvido na Empresa.

“A discussão da proposta é resultado do trabalho que a EMBRAPA vem realizando junto às Câmaras Setoriais e Temáticas do MAPA, especificamente na Câmara Setorial da Equideocultura. O mormo foi uma das demandas priorizadas pela ministra durante a reunião que manteve com essas instâncias de representação das cadeias produtivas do agronegócio. Acreditamos que o trabalho será de grande relevância para a construção de uma política pública para o enfrentamento desta doença no País”, destacou Jefferson Costa, pesquisador da Gerência de Relações Institucionais e Governamentais da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Grig/Sire). O pesquisador atua, desde 2018, como articulador da atuação da Embrapa junto às câmaras setoriais e temáticas do Mapa.

A pesquisadora Emanuelle Gaspar apresentou os resultados da pesquisa do projeto que a Embrapa vem desenvolvendo em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para realizar os testes de diagnóstico da doença. A especialista ressaltou que os testes com maior confiabilidade podem evitar a disseminação do mormo, bem como as contestações judiciais de diagnósticos, o que tem se tornado bastante frequentes, pela baixa confiabilidade que a população tem na prova de FC (Fixação de Complemento, teste antigo utilizado para se chegar ao diagnóstico). Animais diagnosticados com mormo são obrigatoriamente sacrificados, pois se trata de uma doença altamente contagiosa.

“A demanda para o trabalho com o mormo chegou à EMBRAPA Pecuária Sul, em 2016, por meio de produtores da região bastante preocupados, pois, na época, não existia um diagnóstico preciso, por isso, eles procuraram a Unidade, em Bagé. Identificamos, de fato, a lacuna na pesquisa com relação ao diagnóstico mais confiável. Assim, construímos o projeto com o objetivo geral de promover avanços na metodologia”, destacou Emanuelle em sua apresentação.

Exp´lica que o professor universitário Roberto Soares Castro, especialista da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), já tinha produzido um kit diagnóstico, porém, ainda faltavam alguns testes. Esses testes irão atender ao estágio 4, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que envolve a definição de parâmetros para implementação de testes de diagnóstico. O diagnóstico deve alcançar quatro estágios para ser confiável e o trabalho da UFRPE já havia alcançado os 3 estágios iniciais. Coube ao projeto da EMBRAAPA, além de outras frentes de atuação, atender o estágio 4 do processo de validação.

“A novidade da nossa pesquisa é a caracterização de novos antígenos

para melhorar o processo de diagnóstico”, destacou a pesquisadora.

Ressaltou que para casos de mormo os diagnósticos podem apontar

reações falso-positivas, que levam ao abate do animal desnecessariamente,

e reações falso-negativas, que impedem o abate do animal e promove a

disseminação da doença para outros animais, já que o equino permanece

no rebanho, por ser considerado saudável, quando na verdade estaria

contaminado. “Portanto, um diagnóstico preciso é de grande relevância

para a garantia da sanidade animal”, esclareceu a pesquisadora.

A partir das explicações da equipe e dos debates em torno das expectativas do Ministério, ficou acertado que a EMBRAPA irá receber, nos próximos meses, os chamados isolados do patógeno (organismos causadores da doença) para realizar a caracterização genética molecular e, assim, testar a confiabilidade e pureza.

Após a caracterização, um experimento que está sendo planejado por solicitação do MAPA, envolverá a inoculação de animais com os patógenos caracterizados geneticamente para a realização do diagnóstico utilizando dois kits de diagnose. Procedimento será pelo Elisa  (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay ou ensaio de imunoabsorção enzimática), teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos, por exemplo, no plasma sanguíneo de equídeos. “O trabalho em parceria que vamos realizar permitirá a validação dos kits e a realização de estudos epidemiológicos do mormo no Brasil. Os testes serão coordenados por integrantes do Portfólio de Sanidade Animal da Embrapa”, esclarece Jefferson Costa.

O objetivo do estudo epidemiológico será conhecer mais detalhadamente onde se encontra a doença, ou seja, onde é maior a proliferação no País e, a partir daí, construir políticas públicas que criem, por exemplo, zonas de exclusão. Os resultados constituirão a base para a elaboração de política pública de relevância.

Mormo, doença contagiosa

O mormo é uma doença contagiosa da equideocultura, causada pela bactéria Burkholderia mallei, que também é uma zoonose. Os animais infectados pela doença podem apresentar tanto infecção crônica, quanto aguda. Cavalos normalmente apresentam a forma crônica da doença e podem sobreviver por vários anos, aumentando o risco de disseminação do patógeno no rebanho. Infecções subclínicas ou latentes são considerações importantes na epidemiologia do mormo, pois um animal com a doença “oculta” é uma potencial fonte de infecção devido à eliminação permanente ou intermitente da bactéria. A transmissão se dá por inalação, ingestão de alimentos ou água contaminados ou por inoculação.

Essa forma de contaminação, associada às condições de higiene

precárias, alta densidade populacional do rebanho e estresse

animal, facilita a disseminação da doença, que, geralmente é

introduzida em uma população de animais, pela entrada de

cavalos doentes no rebanho. A identificação correta de animais

doentes é, portanto, a chave para o controle e erradicação do mormo.

 

 

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Mormo, doença do cavalo

que pode afetar humanos

Mormo ou lamparão, é uma doença infecto-contagiosa dos equídeos, causada pelo Burkholderia mallei, que pode ser transmitida ao homem e também a outros animais. Manifesta-se por um corrimento viscoso nas narinas e a presença de nódulos subcutâneos, nas mucosas nasais, nos pulmões, gânglios linfáticos, pneumonia, etc.

Doença de Mormo, frequente em animais como cavalos, mulas e burros, pode contaminar os humanos, provocando dificuldade para respirar, dor no peito, pneumonia, derrame pleural e também formando feridas na pele e mucosas.

O ser humano pode ser infectado com a bactéria B. Mallei, que causa a doença, através da inalação ou contato com as secreções de um animal contaminado, que podem estar presentes no bebedouro, arreios e ferramentas do animal, por exemplo.

Os animais contraem o mormo pelo contato com material infectante do doente: pús; secreção nasal; urina ou fezes.

SINTOMAS

Os sintomas mais comuns são a presença de nódulos nas mucosas nasais, nos pulmões, gânglios linfáticos, catarro e pneumonia. A forma aguda é caracterizada por febre de 42ºC, fraqueza e prostração; pústulas na mucosa nasal que se transformam em úlceras profundas com uma secreção, inicialmente amarelada e depois sanguinolenta; intumescimento ganglionar e dispnéia.

CONTAMINAÇÃO

Acontece pelo contato com material infectante (pus, secreção nasal, urina ou fezes). O agente penetra por via digestiva, respiratória, genital ou cutânea (por lesão). O germe cai na circulação sanguínea e depois alcança os órgãos, principalmente pulmões e fígado.

TRATAMENTO

O mormo apresenta forma crônica ou aguda, esta mais freqüente nos asininos. Os animais suspeitos devem ser isolados e submetidos à prova complementar de maleina, sendo realizada e interpretada por um veterinário do serviço oficial. A mortalidade dessa doença é muito alta.

Atenção

Devem ser realizadas as seguintes medidas:

  • Notificação imediata à Defesa Sanitária
  • Isolamento da área da infecção e isolamento dos animais suspeitos
  • Sacrifício dos que reagiram positivamente à mesma prova de maleína
  • Cremação dos cadáveres no próprio local e desinfecção de todo o material que esteve em contato com eles
  • Desinfecção rigorosa dos alojamentos
  • Suspensão das medidas profiláticas somente 120 dias após o último caso constatado. 
  • Bloqueio e suspensão do trânsito animal da propriedade

(Agência de Defesa Agropecuária de Alagoas)

 

Tratamento

O tratamento para doença de mormo, também conhecida por Lamparão, é feito com internamento hospitalar com o uso de uma combinação de antibióticos durante alguns dias. Durante o internamento deve-se realizar exames de sangue e radiografias para observar a evolução da doença e adotar tratamentos específicos para os órgãos que possam ser afetados.

Dependendo do estado em que o paciente chega ao hospital pode ser necessário oferecer oxigênio através de uma máscara ou colocá-lo para respirar com ajuda de aparelhos.

Complicações da doença de mormo

As complicações da doença de mormo podem surgir quando o tratamento não é realizado logo que surjam os sintomas e pode ser grave com envolvimento pulmonar e disseminação da bactéria pelo sangue, havendo septicemia. Nesse caso pode haver febre, arrepios, dor nos músculos, além de dor no peito e dificuldade para respirar e sinais de comprometimento do fígado e outros órgãos como pele e olhos amarelados, dor abdominal e taquicardia, podendo haver falência múltipla dos órgãos e morte.

Sintomas da doença de Mormo

Inicialmente os sintomas da doença de Mormo no ser humano podem ser inespecíficos causando enjôo, tontura, dor nos músculos, forte dor de cabeça e perda do apetite, até que surgem:

  • Suor noturno, mal-estar geral;
  • Feridas arredondadas de aproximadamente 1 cm na pele ou nas mucosas, que inicialmente parece uma bolha, mas que aos poucos se torna uma úlcera;
  • A face, principalmente o nariz, podem ficar inchados, dificultando a passagem do ar;
  • Secreção nasal com pus;
  • Gânglios linfáticos doloridos, ínguas;
  • Sinais gastrointestinais como diarreia forte.

Pulmões, fígado e baço geralmente são afetados mas a bactéria pode afetar qualquer órgão e até mesmo os músculos.

O período de incubação pode chegar a 14 dias, mas geralmente os sintomas aparecem num prazo de 5 dias, embora os casos crônicos possam levar meses para se manifestar.

O diagnóstico da doença de mormo em humano pode ser feito através da cultura de B. mallei nas lesões, exame de sangue ou PCR. O teste da maleína apesar de ser indicado para os animais, não é utilizado em seres humanos. O raio-x do pulmão é indicado para avaliar o comprometimento deste órgão mas não serve para confirmar o diagnóstico da doença de mormo.

Como evitar a doença

Para prevenção da doença de Mormo é recomendado usar luvas e botas ao lidar com animais que possam estar contaminados porque nenhuma vacina está disponível. Os sintomas visíveis que ajudam a identificar a doença nos animais são a secreção nasal, febre e feridas pelo corpo do animal, mas um exame de sangue pode confirmar que o animal está contaminado e deve ser abatido.

A transmissão de uma pessoa para outra é rara e não há necessidade de isolamento, embora as visitas no hospital sejam restritas para permitir o descanso e recuperação do paciente. O contato sexual e a amamentação não devem ser estimulados durante a vigência da doença.

 

 Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA), organismo especializado em saúde pública veterinária que fornece serviços a todos os países-membros da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), está desenvolvendo um método de diagnóstico do mormo, uma doença comumente encontrado em equídeos – como nos cavalos.

O mormo é facilmente transmitido para humanos, podendo ser fatal. Após sua reemergência no Brasil, a doença tem sido notificada em praticamente todo território nacional. A ação do PANAFTOSA é realizada a pedido dos países preocupados com o tema, sobretudo na América do Sul.

O centro da ONU, com sede em Duque de Caxias (RJ), desenvolveu o teste de ELISA-BKM16, baseado em uma proteína recombinante TssB da bactéria Burkholderia mallei, causadora da doença.

O mormo, explica o organismo, é uma das mais antigas doenças conhecidas dos equinos, e representa de fato um risco potencial para os seres humanos, levando inclusive à morte.

Embora o mormo tenha sido erradicado de vários países, recuperou o status de uma doença reemergente devido a numerosos surtos recentes. Especificamente na América do Sul, a doença recuperou recentemente um alto interesse dos serviços veterinários, com vários surtos detectados nos últimos anos.

Nos estudos de avaliação do ELISA-BKM16, o desempenho deste teste foi investigada comparando o seu desempenho com outros testes existentes, como a fixação do complemento (FC) e o Western Blotting (WB). Os resultados foram satisfatórios, indicou o organismo internacional.

O teste desenvolvido pelo PANAFTOSA, apresentado como uma alternativa viável, oferece boas características de funcionamento – de sensibilidade e especificidade –, bem como vantagens de custo eficaz por causa da sua facilidade de aplicação laboratorial.

São parceiros da iniciativa o Instituto Biológico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil; e os Centros Nacionais de Doenças Animais e a Agência de Inspeção de Alimentos do Canadá.

O organismo da OMS reforça, com isso, o compromisso de contribuir para o controle de zoonoses e melhorar a vigilância e o controle do mormo, por meio do desenvolvimento de uma ferramenta de diagnóstico para esta doença. Saiba mais sobre o tema

 

Fonte: EMBRAPA - Maria Clara Guaraldo
 

 1 Comentários para esta notícia

  1. author

    sem sombra de dúvidas, essa doença se não é a mais grave é a mais difícil de se controlar. tenho acompanhado e pesquisado alguns arquivos científicos sobre o assunto relacionado a doenças nos equídeos e estou atordoado com essas doenças sem tratamento e cura. espero que consigam algum tratamento que ajude a no mínimo controlar a disseminação da doença.


 

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