Lygia Fagundes Telles, escritora de 95 anos - Aniversário em  19 de abril

Lygia Fagundes Telles nascida Lygia de Azevedo Fagundes em São Paulo, também conhecida como "a primeira dama da literatura brasileira" é considerada por acadêmicos, críticos e leitores, uma das maiores escritoras do século XX e da história da literatura brasileira.

Além de advogada, romancista e contista, Lygia tem grande representação no pós-modernismo, e as obras retratam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo e a loucura, além da fantasia.

Nascida na cidade de São Paulo, a escritora cresceu em Sertãozinho e outras pequenas cidades do interior paulista, e desde pequena demostrou interesse pelas letras. Aos oitos anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, permanecendo lá por cinco anos. De volta a São Paulo, matriculou-se no Instituto de Educação Caetano de Campos e passou a interessar-se por literatura

Teve estreia literária com o livro de contos Porão e Sobrado (1938), o qual foi bem recebido pela crítica. O sucesso se repetiu com Praia Viva (1944). Após concluir o curso de Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em 1946, onde conhecera Mário e Oswald de Andrade, Paulo Emílio Sales Gomes, entre outros, integrou a academia de letras da faculdade e colaborou com os jornais Arcádia e A Balança.

Em 1947, casou-se com Gofredo Teles Júnior, com quem teve Goffredo da Silva Telles Neto, casando-se novamente em 1962 com Paulo Emílio Salles Gomes. Seu terceiro livro de contos, O Cacto Vermelho, lançado em 1949, recebeu o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras. Seu primeiro romance, Ciranda de Pedra, publicado em 1954, foi bem recebido pela crítica e público, tornando-a nacionalmente conhecida.

Seu sucesso literário internacional veio com Antes do Baile Verde (1970), e posteriormente, As Meninas (1973) e Seminário dos Ratos (1977), pelos quais ganhou o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França, o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e o Pen Club do Brasil, respectivamente. Ingressou na Academia Paulista de Letras, em 1982, e, em 1985, ocupou a cadeira de número dezesseis da Academia Brasileira de Letras, tomando posse em 12 de maio de 1987.

Naquele mesmo ano, tornou-se membro da Academia das Ciências de Lisboa. Seus outros sucessos incluem: Verão no Aquário (1964), Mistérios (1981), As Horas Nuas (1989) e Invenção e Memória (2000). Teve seus livros traduzidos para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco, além de inúmeras edições em Portugal. Em paralelo à carreira literária, Lygia trabalhou como Procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, cargo que exerceu até a aposentadoria, e foi presidente da Cinemateca Brasileira, fundada pelo marido Paulo Emílio.

Na 17.ª edição do Prêmio Camões, maior láurea concedida a escritores de países com o português como a língua oficial, ocorrida em 2005, Lygia foi anunciada a vencedora. Ganhadora de todos os prêmios literários importantes do Brasil, homenageada nacional e internacionalmente, tornou-se, em 2016, aos 92 anos, a primeira mulher brasileira a ser indicada ao prêmio Nobel de Literatura.

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